VIVER É PRECISO


Viver é preciso. Essa afirmação está em nosso instinto desde o momento de nossa concepção. Somos programados para sobreviver a qualquer ambiente hostil, mas nem sempre somos capazes de suportar as oscilações emocionais que nos acometem em certos tempos durante nossa caminhada nesse mundo. Porque sofremos tanto por algo ou alguém? Realmente é preciso tudo isso para só então encontrarmos a paz e a felicidade? Nem sempre para o arco íris nascer é preciso as tormentas de uma chuva.

Muitos, só compreendem uma borda do significado da palavra precisão, que na maioria das vezes, entendem somente como sinônimo de “necessidade”, “urgência”... Quando esquecem que existem outras bordas dessa mesma piscina preenchida de emoções. Não vejo a palavra precisão neste sentido literal e concreto. Prefiro tê-la em minha rotina como algo mais focado. Esta borda da palavra me atrai muito mais, o que possibilita ver o mundo de uma forma diferente, positiva e que realmente me completa em todas as direções.

Enquanto para uns “é preciso viver”, muitas vezes levando em sua caminhada o peso da angústia, de incertezas, insegurança e medo, para outros, “viver é preciso”. Mas qual a diferença nisso? Os dois mantras não traduzem o mesmo desejo? A diferença está no desprendimento das emoções passageiras, das expectativas, e no tempo que cada ferida demora para ser curado. Quando estamos machucados, precisamos da urgência em curar a dor, em esquecer o que não nos faz bem, em virar a página, em dar o próximo passo, não precisar mais abraçar o travesseiro... Precisamos viver; Mas quando estamos em equilíbrio, viver é preciso, porque passamos a compreender e amar a vida sem qualquer apego material e passageiro... Nosso desejo está em apenas consumir a vida dia após dia, sem expectativas, mas saboreando cada momento desde que nossas almas se acordam para o mundo e retornam aos sonhos.

A vida é bela demais para deixar a linha do tempo seguir em frente costurada de sentimentos que não devem fazer parte dela... Não importa se teu espírito encontra-se amargo... Um hora ele irá sorrir de novo. Quem disse que não podemos chorar? Para tudo na vida, temos que praticar até aprender. Essa relação com o mundo é que nos faz evoluir, cada passo de uma vez. O exercício do desprendimento, e o exercício da busca felicidade precisam ser praticados todos os dias. É como diz Mark Twain: “A gente não se liberta de um hábito atirando-o pela janela: é preciso fazê-lo descer a escada, degrau por degrau.” Um passo de cada vez, tempo ao tempo, que os livros e acomodam na estante, porque é preciso viver, viver é preciso, sempre.

* Victor Matheus

CELEBRE A VIDA

“A gente arruma todos os dias o cabelo, porque não o coração?”. Muitas pessoas tem a errada idéia e o costume de achar que devemos comemorar nossas conquistas e sonhos somente em ocasiões especiais, como aniversários, feriados, festas de fim de ano, a nota final no semestre da faculdade e a taça de campeão do time do coração.

Esquecem muitas vezes que a a vida acontece agora. Alguns se prendem eternamente ao passado, muitas vezes a lembranças nem sempre boas e confortantes. Pior ainda, cultivam sentimentos que já deveriam ter sido deletados há tempos pela vassoura do esquecimento por não mais somar em suas vidas. Outras pessoas no entanto, geralmente as mais expansivas, vivem no mundo das expectativas, o que comumente conjugamos de futuro, mas esquecem alguns princípios básicos da nossa jornada e as variáveis que nos move todos os dias, acabando na maioria das vezes se frustando. Isso é bem claro: Quando se cria expectativas, projetamos nossa felicidade em algo que pode ou não dar certo, e quando algum tropeço acontece, nos machucamos. Tudo bem que todas as pessoas, exceto as crianças, que caem, machucam os joelhos, dão risada da travessura e logo estão sorrindo de novo, passam muito tempo remoendo seus revés, quando deveriam simplesmente balançar os ombros e dar o próximo passo. A ordem é lógica e prática: Sem expectativas, sem dor.

Então onde encontrar o nirvana entre o passado e o futuro? Já dizia o provérbio chinês: “O passado é história, o futuro incerteza, e o agora uma dádiva, por isso chamamos presente”. Por isso devemos celebrar a vida todos os dias, no agora, porque ela é nosso maior dádiva, e isso não sou eu que escrevo, está na história do homem. Somos a jóia mais rara do universo, cada um, um corpo, um espírito e mente perfeito. Único e insubstituível. Não há outro “seu” caminhando pelo mundo. Só tiramos os gêmeos dessa conta.

E você? Já refletiu em que parte da sua jornada se encontra? Olhando para atrás, perdendo tempo com o que não voltará ou preencherá os espaços do teu coração? Pensando no amanhã, que pode lhe fazer perder o foco e não perceber o que acontece nesse exato instante que a vida passa e você apenas acompanha a banda passar e não participa da festa? Ou simplesmente vive o agora, olhando as fotos que te trazem boas lembranças, fazendo planos para o amanhã mas compreendendo que só temos o agora para viver? A vida acontece agora, por isso devemos celebrá-la todos os dias, não apenas em ocasiões especiais. O tempo é uma linha reta que só caminha para frente. A velocidade somos nós que determinamos. Não se permita parar na estrada. Sem dúvidas, sem medo. O melhor do mundo está diante dos seus olhos, a tal janela da alma, mas isso...bom, isso fica para outra história.


* Victor Matheus

PONTO DE EQUILÍBRIO

No dicionário da língua portuguesa, a palavra “equilíbrio” é um substantivo masculino, que tem como significado “estado de repouso de um corpo solicitado por várias forças que se anulam”; porém, equilíbrio tem um significado que vai além das linhas dos livros didáticos. Na prática, quando aplicamos esse conceito em nosso cotidiano, descobrimos um mundo novo, no qual, assim como na descrição citada acima, várias forças se anulam, ou do meu ponto de vista, se complementam. Dominar essa difícil arte em nosso dia a dia requer muita paciência, tempo e sensibilidade.

Quantas vezes durante o mesmo dia perdemos o equilíbrio? O físico, o emocional, o espiritual? E vou além, quantos vezes durante a vida perdemos completamente o senso do que nos completa em vários aspectos de nossa jornada e não percebemos até a desordem e o caos tomar conta de nós? Até que ponto essas experiências são boas e ruins em nosso caminho? Como fazer para recuperá-lo?

Quando perdemos o foco por algum tropeço, um dia nublado, uma dor de dente, um amor não correspondido, mergulhamos num abismo de experiências que acreditamos ser o melhor remédio para curar as tais feridas, sem perceber que ao invés da cura, a gente expõe mais as chagas, e nos revelamos do avesso inconscientemente para o mundo. Não falo de fé e crenças no divino, pois cada um tem sua convicção e não estou aqui para convencer ninguém. Sua vida, seu caminho é você quem faz, e ninguém tem direito de controlar seus passos, apenas quando assim você desejar.

Muitas pessoas procuram uma fuga quando a desordem assume o controle. Caem na esbórnia, em aventuras arriscadas, noites de insônia, isolamento, solidão. Não que isso seja de um todo ruim, mas ativar o “foda-se” em modo constante pode provocar muitos efeitos colaterais. Aí depois dessa volatilidade emocional se armam de muros intransponíveis, acreditando que assim se fortalecem. Focam suas energias em vivências passageiras e superficiais quando poderiam na verdade estar compartilhando as fraquezas e belezas de sua jornada de forma sincera, despidas de qualquer censura. Aí nos perguntamos: Mas nos expor não nos deixa vulneráveis? Há as pessoas e momentos certos para isso.

Nessa história não há certo e errado, pois cada um com seu cada um. Acredito que em qualquer ponto de nossa caminhada, quando sentirmos que algo está errado, devemos olhar do outro lado do espelho, e perceber que as vezes nossas fraquezas demonstram nossas melhores qualidades, que pessoas que não julgamos serem essenciais em nossa vida podem ser o nosso anjo da guarda. Acredito que para todo o tropeço há uma mão estendida para te ajudar a se erguer. Quando encontramos nosso ponto de equilíbrio, nossa homeostase, o que para alguns significa a tampa da panela, para outros a realização pessoal, seja como for, passamos a enxergar o mundo de uma maneira mais ampla, conectada e harmoniosa. Equilíbrio é mais que uma palavra positiva, é um estado de espírito que nos eleva ao divino.

* Victor Matheus

CHEGA DE SAUDADE

Tem dias que acordo com gosto amargo na boca. Dias assim eu prefiro me encolher no casulo, observar o vento beijar as grandes árvores da cidade, abraçar o cachorro de estimação e olhar bem no fundo dos olhos dele, acreditando que ele vai me entender, e eu sei que vai entender meus olhos... Ouvir as pessoas estranhas resmungando na fila do banco e apenas esperar o tempo passar. Dias assim na minha existência, são como retiros físicos e espirituais para curar feridas, apesar de não haver nenhuma delas no meu peito.

Paro a pensar o que leva as pessoas a se retraírem? Seria por medo? Por angústia? Problemas pessoais? Financeiros? Ou apenas saudade? No meu caso, eu sei que é saudade. Saudade daquelas de apertar o coração, de pegar a foto e se perder no tempo gravando cada detalhe na memória para nunca mais esquecer, como um mapa do tesouro, mas diferente, real, humano, cheio de curvas, que despertam os desejos mais intensos. Dá vontade de pegar o telefone, escrever mensagem... E depois apagar tudo e repetir. De pensar duas, três, várias vezes em ligar só para ouvir a voz... Mas seria estranho, bem estranho. De adormecer e sonhar um sonho bom, tão intenso e real que ao despertar, achamos que tudo ficou do avesso... E acaba ficando mesmo. De onde vem toda essa necessidade de sentir apego por outro alguém tão longe e necessário em nossa vida?

Então costuro os retalhos de lembrança, busco lá no fundo, na última porta do coração, trancada com todas as chaves de segredos, os motivos desse aperto inesperado no peito... Aí fecho os olhos, Abraço o silêncio e a verdade se revela dentro de mim... O coração dispara, como que tentando contar aos meus ouvidos porque me sinto assim, porque sonho assim, porque estou assim... Mas eu nego... Rejeito... Não quero! Porque se entregar a incerteza, de se jogar no abismo, sem saber se vale a pena? Mesmo o sonho real, o gosto do beijo, o cheiro no ar, o som do sorriso ainda ecoando na memória para me dar certeza que vale a pena beber desse sentimento?

E quando toda essa pequena tempestade de emoções começa a se acalmar dentro de mim, do outro lado da porta ouço uma canção tocando no rádio em volume baixo, como que caprichadamente colocada naquele volume só para eu ouvir, e os versos diziam “Vai minha tristeza / e diz à ela / Que sem ela não pode ser / Diz-lhe numa prece que ela regresse /
Porque eu não posso mais sofrer / Chega de saudade, a realidade é que sem ela / Não há paz, não há beleza, é só tristeza / E a melancolia que não sai mim, não sai de mim, não sai / Mas se ela voltar, se ela voltar / Que coisa linda, que coisa louca / Pois há menos peixinhos a nadar no mar / Do que os beijinhos que eu darei na sua boca”, e ao terminar de ouvir os versos, como um anjo que toca um cântico celestial para abençoar nosso espírito e nos proteger de qualquer mal, eu tive a prova divina que nem sempre podemos ser donos do nosso destino e controlar os sentimentos. Percebi que gastei tempo de mais desperdiçando paixões... Chega de saudade! Agora só me interessa viver esse amor, quando a saudade acabar e ela voltar.

* Victor Matheus

TENTE OUTRA VEZ

Confesso que há momentos na vida que a fonte seca momentaneamente. Quando isso acontece o que fazer? Buscar no divino as respostas para nossas angústias? Nos encolher feito casulo, repelir tudo e todos por medo ou insegurança, ou apenas ter paciência e esperar um novo sol nascer?

O ano de 2011 marcou profundamente minha existência em todos os aspectos. Como uma verdadeira montanha russa, fui do alto ao profundo das emoções, oscilando ciclicamente, experimentando todos os sentimentos dia após dia, vivenciando novas histórias e reescrevendo meu destino. Também foram muitos os tropeços, mas em contrapartida muitos sorrisos eu vi brotar no rosto das pessoas que amo, e em mim mesmo. No final dessa jornada vi que tudo, torto ou reto valeu a pena.

Valeu a pena cada dia, mesmo os ruins, os de angústia, de abraçar o travesseiro e chorar, os dias chuvosos, de solidão, de incertezas, de medo de estar caminhando no escuro. Valeu a pena cada segundo que respirei, sentindo o sopro da cruviana encher meus pulmões de vida, compartilhar as alegrias, os abraços, o beijo, o sexo, o amor, a paixão... celebrar as amizades verdadeiras, me reencontrar depois de caminhar perdido sem direção, me refazer, reinventar, aceitar os erros, e principalmente exercer  o amor.

Quantas vezes a gente pode ter durante o ano o privilégio de tentar outra vez? De recomeçar, mesmo sabendo que tropeços poderão acontecer e mesmo assim mergulhamos no abismo infinito das possibilidades que a vida nos dá de sermos felizes? Já parou para pensar como somos privilegiados, e mais ainda, abençoados por ter a chance de caminhar nesse mundo, mesmo que as vezes nossa estrada tenha espinhos e topamos em pedras nem sempre boas? Pare por um segundo e reflita, olhe ao seu redor, filtre tudo e deixe apenas as coisas boas. Consegue sentir novamente a mesma emoção do passado ao lembrá-lo? Sente o coração batendo forte quando se lembra do beijo demorado, do cheiro da pele, do corpo quente após o gozo, do sol nascendo, brindando uma noite inesquecível?

Devemos apenas, somente mesmo, e isso eu faço pra mim uma regra, guardar apenas o que foi bom durante todo o ano que passamos. As experiências negativas também se tornam válidas como aprendizado, mas desnecessárias de serem cultivadas no coração. Deixe pra lá o que aconteceu de ruim, afinal lágrimas também fazem parte de um belo rosto, e as vezes, ou melhor, muitas vezes são o melhor remédio para curar as feridas adquiridas em nossa caminhada nesse mundo. Use a vassoura do esquecimento para deletar do seu espirito aquilo que não soma mais a sua vida.

Entre tantos segredos do mundo novo, o mais nobre de todo é o cultivo do amor, em toda sua amplitude. A lição que fica no fim de mais esse capitulo de nossa vida é que sem amor no que fazemos, no que sonhamos, no que vivenciamos tudo perde o sentido. A paixão nos move todos os dias, e este desejo deve permanecer sempre. Sem medo, sem receio, se for preciso a gente pula no abismo quantas vezes for. Tente, tente outra vez, e de novo, e mais uma vez, e não desista nunca de buscar sua felicidade. Eu aprendi que para ser feliz não precisa de motivos. Também aprendi que se a gente abraça o mundo, o mundo nos abraça.... é como sempre compartilho: Que hoje seja um ótimo dia, o melhor da nossa vida, porque tudo acontece agora e não há tempo para se perder. 

Feliz 2012.

Victor Matheus