ACREDITE NOS SEUS SONHOS - PADICOIZA

"Hoje realizei mais um de inúmeros sonhos que tenho nessa vida: estreei meu projeto poético com meu irmão, o poeta Rodrigo Mebs e minha amiga iluminada Adília Quintelas, com o nosso primeiro espetáculo guitar-poético da Companhia Padicoiza, intitulado Se Nero Tivesse um Zippo. Foram longos 8 anos de gestação de um sonho que nasceu na Serra de Pacaraima, onde a Venezuela abraça o Brasil, parido das entranhas artísticas de dois turistas espaciais, pelo nome de Caxiri Atômico. Acredite! Todos os sonhos na vida são possíveis, basta querer, acreditar e seguir em frente... Só precisamos de um bom motivo e isso eu tenho e muito mais: amigos, poesia, arte, felicidade, amor, luz, o céu lindo estrelado de Roraima, a beira do Rio Branco, pessoas para nos aplaudir e o desejo infinito de realizá-lo...  Eu consegui! Todos nós podemos, não duvide... Eu adoro a minha vida! \o/


Victor Matheus.

* O Grupo Padicoiza no espetáculo "Se Nero Tivesse um Zippo" é formado pelos poetas Rodrigo Mebs, Adília Quintelas e Victor Matheus e sua estréia aconteceu no dia 06 de dezembro de 2013 no Anfiteatro da Orla Taumanan na cidade de Boa Vista - RR.

AMAR A VIDA

“Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver.” - Dalai Lama 

Durante nossa jornada nesse planeta, muitas vezes nos deparamos com situações difíceis, dolorosas, confusas e até mesmo desafiadoras, levando nossa mente, corpo e espírito ao seu limite, chegando muitas vezes a nos esgotar por inteiro. 

Diante dos desafios que a vida nos dá dia após dia, acabamos por nos tornarmos cegos há muitas coisas envolta de nós, de importância imensa, mas que acabam sendo colocadas de lado sem notarmos de imediato. Então, inexplicavelmente, a Vida se encarrega de resgatar aquilo que outrora fora deixado de lado por nós, mas infelizmente, nem sempre a forma de fazê-lo é simples e fácil, provocando imensa dor e tristeza em nós. 

Esta semana, perdi um grande amigo, daqueles poucos que contamos nos dedos par a vida inteira, em decorrência de uma doença devastadora e mortal, conhecida como câncer. Até aí tudo bem, afinal morrer de câncer tornou-se hoje algo tão comum como falecer de gripe séculos atrás... O problema é que na maioria dos casos relacionados ao câncer, a doença geralmente apresenta os primeiros sintomas em estágios avançados da vida do ser humano, porém não foi este o caso. Meu amigo tinha 27 anos, e completaria mês que vem aniversário. Tinha a mesma idade que tenho hoje. 

A notícia de sua partida prematura foi devastadora para mim, ainda mais por ter acompanhado toda a jornada que Ele passou desde a descoberta da doença até seus últimos dias de vida. Felizmente, tive tempo de me despedir dele, mesmo sem sabermos, num encontro familiar. Pude estar ao seu lado, e até fiz brincadeiras, como dizer que ele já estava com mais cabelos que minha filha, uma bebezinha de nove meses... Sorrimos bastante, pois ele, apesar de estar enfrentando o maior desafio da sua vida, jamais perdeu o humor característico de sua personalidade, e nunca perdeu o brilho nos olhos e a vontade de viver... Talvez seja por isso que sua partida prematura tenha causado tanta dor em todos nós que fomos cultivados pela sua presença, sua amizade, seu afeto, sua companhia e sua forma de lidar com os problemas da vida. 

Na época em que nos conhecemos, éramos jovens adolescentes ávidos pela vida, mas eu, diferentemente dele, não tinha tantos compromissos e obrigações no meu cotidiano.. Era apenas um jovem aventureiro em busca de emoções passageiras e mundanas... Já Ele, assumira a responsabilidade de cuidar de uma família órfã de um pai, morto tragicamente... Tínhamos pouco mais de 18 anos, mas Ele parecia ser um gigante homem determinado em trabalhar e dar o melhor aos seus irmãos e sua mãe... 

Hoje, ainda de luto, reflito sobre sua passagem latente e breve do nosso convívio, e percebo que fui um dos muitos privilegiados de estar ao seu lado, de ter aprendido com Ele muito mais que aprendi com outras pessoas ou mesmo nos bancos de escolas e afins... Pude ser testemunha da sua luta em abraçar a vida e degustá-la, mesmo sabendo que seu final seria breve... Presenciei suas pequenas conquistas, as superações que toda pessoa acometida de câncer passa, e durante toda essa jornada, jamais ouvi dele um lamento, um remorso, ou qualquer frase de tristeza ou desmotivação... 

A imagem que guardo do meu irmão será para sempre a de um homem determinado em vencer na vida, de suportar as provações e ainda assim nos dar alegria e continuar sorrindo, mesmo diante das provações dolorosas que passou... Vi sua imagem serena descansar em paz, pronta para seguir seu caminho para a Luz, e mesmo com o coração sofrido e em prantos pela sua ausência física, agora eterna, entre nós, tive a dádiva de receber dele uma última e valorosa lição antes de sua partida: Amar a vida, todos os dias, sempre, e fazer da cada dia o melhor de todos... 

Vai na paz, vai na Luz meu amigo, meu irmão Rubem Jr. Cuide da gente de onde estiver, pois te guardaremos pra sempre no lado esquerdo do peito. “Pois seja o que vier, venha o que vier, qualquer dia amigo, eu volto a te encontrar...” #luto 

* Victor Matheus

A VOZ DO CORAÇÃO

“Não tenha medo de crescer lentamente.
Tenha medo apenas de ficar parado.”

Saudade é uma palavra tão diminuta e inversamente proporcional ao que representa que fica difícil defini-la... Para uns, um sentimento inerente a natureza humana, saudável, necessário, inspirador... Para outros, um martírio, um catalisador de angustias, desespero, e principalmente dor.

Vejo a Saudade como um sentimento de conexão entre o velho e o novo, uma janela aberta revelando nosso passado que jamais retornará ao agora, materializado em fotos, músicas, roupas, filmes, livros, pensamentos e sonhos... Ao transpor esta janela, muitas vezes, revemos o que ficou para trás de óticas diferentes, principalmente com o distanciamento maior do agora com o que foi escrito em nossa jornada há algum tempo... Sinto que a cada passo dado a frente, o passado, outrora tão vívido na memória, fica cada vez distante e borrado, guardado no fundo do baú do nosso coração...

Às vezes, em momentos intensos de nossa vida, ficamos perdidos, sem rumo, sem tomar a decisão correta e sadia... Outras vezes, sentimos certo arrependimento por certas escolhas, que a princípio parecem ter sido feitas com convicção mesmo sendo precipitada ou por um impulso momentâneo, ignorando o que há de mais sincero e prudente em cada um de nós: A voz do coração. Então, inevitavelmente acabamos sempre a nos questionar, quase sempre de forma acusadora e penitente, o porquê de termos feito ou agido de tal forma... Será que fizemos o certo? No que se baseou nossa decisão? Porque a tomamos, sem antes dar tempo para concretizar as idéias? Realmente é o caminho certo a tomarmos? E principalmente, perguntamos a nós mesmos, diante do espelho, para o nosso coração se o que desejamos realmente é sadio para a nossa caminhada nesse mundo?

Há em nosso dia a dia, uma urgência muito grande das pessoas em preservar o que já não soma a nossa vida, em persistir em alimentar o que já foi escrito e não pode se apagar... Nada errado em cultivar lembranças, em permitir nos inebriar de sentimentos tênues e latentes, desde que não percamos o foco, e não deixemos nos entorpecer por algo ou alguém que por razões não faz mais parte do nosso presente...

A natureza, em sua sabedoria, sempre dá razão e justificativa para tirar o velho e dar lugar ao novo, e na sua dádiva, ainda nos dá ferramentas para termos lucidez diante do que está batendo a nossa porta... Por isso sejamos atentos ao que o mundo ao nosso redor nos diz, e se ainda assim sentirmos a vista turva diante de decisões, não esqueça jamais que a sabedoria está dentro de cada um de nós. Apenas ouça a voz do coração, sem medo, sem receio, e saberá que fez a escolha certa. Não duvide. Evoluir é se permitir dar um passo de cada vez.

* Victor Matheus

BONS TEMPOS

“Quando somos bons para os outros, somos ainda melhores para nós.” - Benjamin Franklin


A Vida é uma das fórmulas mais simples que a natureza criou para dar a nós, espíritos aprendizes desse planeta, de evoluirmos e compreendermos que estar caminhando nesse mundo é apenas uma das janelas de possibilidades para nossa existência e entendimento do que é Ser Humano.

Certa vez (aqui mesmo compartilhando em textos anteriores) já tive o privilégio de vivenciar experiências divinas, humanas, terrenas e espirituais... Presenciei milagres, como o renascimento de um cachorro atropelado que se ergueu novamente diante dos meus olhos sem qualquer ferimento... Outra vez, numa certa manhã sentado numa cadeira a contemplar os primeiros raios de Sol, dedilhando qualquer melodia ao violão, senti repousar no meu braço um pequeno e barulhento passarinho colorido que ali ficou a me acompanhar com seu cântico as minhas notas musicais... E pude, pela dádiva divina, vivenciar a experiência mais indescritível de todas que a Vida me permitiu: O nascimento de minha filha.

A cada experiência por nós vivida, quando a mente se permite, podemos entender como uma aula prática inundada de ensinamentos profundos, filosóficos e extremamente práticos como devemos guiar nossos passos em nossa jornada em busca da Luz... Mas para isso acontecer temos de querer verdadeiramente, se permitir, e deixar nossa mente e coração livres para aprender o que a Vida nos agracia todos os dias por meio do acaso... Veja bem, o que é a Vida senão uma eterna soma de ciclos alternados? Se não acredita, feche os olhos, concentre-se em si mesmo e deixe os pensamentos fluírem... O que chega aos teus ouvidos? O que seu corpo entende que acontece do lado de fora? Seu coração se acalma? Sente saudade de algo do passado? Alguma ideia chegou a sua consciência? Ou simplesmente nada demais acontece? No fim, pouco importa o efeito de sua atitude, pois se a causa for vazia, o reflexo certamente será o mesmo, e este é um ensinamento básico e prático para aplicarmos ao nosso dia a dia, no qual passei a exercer há um bom tempo e me ajudou e ainda ajuda a elucidar minha mente nos momentos de tribulação e provações que todos nós um dia passamos por razões avulsas... Não tenho o hábito de orar conforme os dogmas religiosos comuns e tradicionais, mas se o tivesse que descrever de alguma forma, esta seria... 

Quando voltamos nossos olhos para dentro de nós, como se colocássemos um espelho diante de nossa face refletindo nossa mente e coração, passamos a perceber a Vida de uma ótica diferente daquela pré determinada pela sociedade que vivemos. Às vezes precisamos nos desligar do mundo de fora e navegar por mais tempo dentro de nós mesmos, afinal, “o mundo de dentro da gente é maior que o mundo de fora da gente”. Aquele que é capaz de transitar entre estes dois caminhos, certamente colherá durante sua jornada bons frutos e muita Luz, pois a Vida está diante de nós, para nos ensinar que os bons tempos, ainda que passageiros, existem, cabendo somente a nós semearmos dentro de nossos corações a árvore da bonança, da paz, do amor e da Luz. Sejamos sempre bons para nós, para o próximo, e acima de tudo, para o mundo. 


* Victor Matheus

DO ZERO AO INFINITO

“Um bebê representa a decisão de Deus de que o mundo deve seguir.”

Certa vez escrevi uma canção na qual o refrão diz “Quando abro a porta nada mais importa / quando abro a porta e te vejo sorrindo”. A canção, escrita na tarde de vinte e nove de janeiro de dois mil e treze, em meio a lágrimas de alegria e ansiedade, foi inspirada na chegada do maior presente divino que recebi: Minha filha Alessa Valentina. Naquela noite eu descobriria um sentimento até então jamais palpável: O amor verdadeiro.

Este verso foi escrito há pouco mais de 8 meses atrás e hoje, ao reler, cada palavra ecoa na minha mente como um quadro surrealista de Salvador Dalí, mas incrementado de descobertas que vão além da percepção visual. Desde a chegada da Manga Rosa (apelido carinhoso que dei a minha filha) até os dias de hoje, temos vivido uma jornada intensa, iluminada e e surpreendente, medida por dias e semanas, como capítulos curtos de uma grande enciclopédia do livro da vida, do livro da vida da família que nasceu com a chegada dela, da nossa família.

Se no começo de sua jornada nesse planeta, esse pequenino e frágil ser vivo precisava de cuidados, amor, atenção, leite materno, e noites quase sempre em claro fazendo vigília pelo seu bem estar, agora, passados oito meses, a realidade é outra e mais intensa: Ainda há noites em claro, mas em menor quantidade, mas também há novas descobertas que geralmente são percebidas apenas por nós, pais e mães, que convivem diariamente com nossos filhos. Como descrever a sensação de um pai ao ver pela primeira vez sua filha se por de pé sozinha, apoiando apenas suas diminutas mãos no canto da cama, ou na gaveta aberta do armário, ou mesmo na caixa de brinquedos no meio do quarto? Como descrever a alegria de presenciar o sorriso largo e brilhante de sua filha enfeitado com oito “dentinhos de leite” que mais parecem ter sido esculpidos cuidadosamente em sua boca? Como lidar com as travessuras interpretadas por uma bebezinha curiosa em morder, tocar, puxar, apertar e jogar absolutamente tudo que está a sua frente, acima, abaixo, ou mesmo em seu corpo? E quando você começa a se acostumar com as novas descobertas de seu bebê, na semana seguinte muda tudo de novo.

No começo, éramos acordados de manhã cedo com um choro manhoso de uma bebê faminta pelo leite da mamãe... Um choro traduzido em pedido de acolhimento. Hoje raramente ouvimos este choro, mas sim o chamado pela “mamãe” (isso mesmo, “mamãe, e não “mámá”) de uma bebê que ao acordar, prontamente escala a guarda do berço, se põe de pé e começa a chamar pela mãe... Não há prazer maior nessa vida do que despertar ao chamado de seu filho, e vê-lo sorrindo no berço esperando ser tomado pelos braços é como entrar em comunhão com o amor supremo e universal...

Sentar, engatinhar, subir nos móveis, ficar de pé, morder tudo que pega com as mãos, comer papinha, brincar com objetivos movendo-os atentamente como se quisesse descobrir sua função, bater palminhas enquanto ouve um novo vídeo da galinha pintadinha, pedir colo da mamãe, do papai, do vovô e da vovó, pôr a mão na orelha e dizer “ô!”, utilizar os dedos das mãos como pinça e fuçar um objeto qualquer, interagir com desconhecidos, saber que a palavra “não” serve de limite para algo que está fazendo de errado, mas que não reprime ou magoa (mesmo que segundos depois Ela tente fazer o mesmo de novo), amar as plantas e os animais, e tratá-los com carinho, se divertir no balanço dado de presente pelo avô, enlouquecer nos passeios de carrinho pelos bosques e parques da cidade, brincar com o priminho da mesma idade e descobrir que o “anda já” é o poder supremo da liberdade para um bebê (risos), descobrir novos sabores do mundo, como degustar pela primeira vez um sorvete num domingo de verão, ter a franjinha do cabelo cortada pela primeira vez pela mamãe, surpreender os pais com um carinho, um olhar profundo nos teus olhos, uma conversa em “bebenês”, ou simplesmente sorrir ao rever o papai adentrar o quarto depois de um longo e exaustivo dia de trabalho... São tantos detalhes para descrever nesses oito meses que não haveria linhas suficientes para tal.

Ao pegarmos o número oito e “deitá-lo” o que teremos? O símbolo do “infinito”. Ao contemplar minha filha brincando, interagindo com o mundo ao seu redor, e sendo testemunha de sua maturação cognitiva, motora, sua clara e já latente luz divina e suas formas de expressar sentimentos, desde afeto, amor, até mesmo incomodo e impaciência por não querer ficar sentada no carrinho na hora da papinha me faz perceber que as possibilidades são infinitas quando se trata de filhos, e pouco importa se a vida que temos seja dura as vezes, com provações, tribulações, dias extenuantes de trabalho, estudos, desgaste físico e emocional por conta das obrigações que temos com a sociedade e com nós mesmos... Quando abro a porta da minha casa após mais um dia de trabalho, nada mais importa, porque sei que do outro lado haverá uma bebê, um pequeno ser divino, que ao me ver, compartilhará um sorriso, estenderá os braços, pedirá o meu colo, e eu a tomarei nos braços, lhe abraçarei, sentirei seu cheiro angelical e lhe direi o quanto a amo... Ela certamente, como sempre faz, retribuirá com um sorriso, e mesmo ainda sem pronunciar palavras da nossa língua, me dirá com os olhos e um afago de sua pequenina mão em minha face, que me ama também. Por isso e por tudo que há de bom na minha vida desde sua chegada é que lhe desejo feliz oito meses de vida Manga Rosa, e que do zero ao infinito eu possa estar sempre ao seu lado para te ver sorrindo, e me ensinando que amar está além de palavras e atitudes, mas tão simples e indispensável como tê-la em meus braços.