TRIBUNAL DE FACEBOOK

“Que decepção, traidor, mudou de lado, corrompido, mentiroso, seu sorriso engarrafado”

Música e poesia, prosas e mais prosas movido a litros de hidroxila moldaram-me ao longo de três décadas, marcando passos firmes neste mundo... Arte, que com arte se expande, é o que me motiva.

Já fui hippie e coroinha, contraventor e poesia, fui artista na contramão, refutei ideologias. Disse não a corrupção no mercado da música dita independente, cheia de hipocrisia. É, sou mesmo a metamorfose ambulante, mas sinceramente, me poupe dessa gente calhorda, sem conteúdo e alegria.

Sobrevivi as cruzadas avessas virtuais, combati os assassinos de reputação, fiz da minha fé um escudo nestes tempos de pseudo revolução. Uma andorinha só não faz verão, mas também é ouvida se virar canção.

De tanto ser do contra, acabei virando situação. A vida tem os seus paradoxos: um dia é veneno, no outro a redenção. Quem diria, aquele garoto estranho, agora é o inimigo infiltrado na multidão?

Outro dia ouvi dizer: Olha lá o playboy... então pensei: quem é você moleque de fraldas, o perfeito burguês, sustentando pelo papai, que não paga um boleto no mês? Quer bancar o lacrador e nem sabe escrever português... Ah! Faça-me um favor, primeiro pague as suas contas, limpe as suas fraldas, vê se cresce filhote, no mundo real, engomadinho não tem vez!

Esta é a minha situação: Nadando contra a revolução, não posso mais que isso, combater o vitimismo, no tribunal de facebook, uma inversa inquisição!

Victor Matheus

MERGULHO INFINITO

Um mergulho rápido e certeiro na era balzaquiana de um homem, enxerga seus nervos conectados umbilicalmente com as energias da nova Era, mas nada desse papo bicho grilo, tipo ativista pelos direitos a ter direitos a ter defeitos ou não, um lance distante da engenharia social já ultrapassado e démodé no mundo real. 

As experiências imprimem um mosaico de retalhos fotográficos imaginários, registrados em uma conexão diferente, sutil, saudosamente oposta ao que foi um dia, calibradas em ondas quatrocentas e trinta e duas frequências mais elevadas, degustadas e ejaculadas mentalmente nas pequenas e grandes emoções e ereções, engolidas com doce, amargo, azedo, salgado, quente, frio, vivo... Quase iluminado.

Passa o balzaquiano a respirar mais lentamente, conversando internamente com o zumbido da mosca outrora ignorado, ouvindo mais, falando menos, seguindo firmemente os ensinamentos dos mestres antigos, há anos devorados aos litros de vinho e livros, absorvendo ideias e ideais solitariamente, até um start existencial despertá-lo para a sua ascensão libertadora.

Queimam-se velhos papéis, leitos de poemas imaturos, versos de um coração ainda puro, imaculado sem saber. Desapega-se do que não mais agrega, compreende que a Vida, esta ávida Vida com suas dores e sabores, é tão somente uma longa, imprevisível, edificante jornada, e sente-se feliz por reconhecer a sua dádiva de ser, apenas ser, respirar e viver aqui.

Os sonhos, sentidos, desejos e espírito balzaquiano sabem, ainda um saber bebê, que as tormentas, dias cinzas, lua cheia e girassol pertencem e existem somente dentro você. Não há nada e ninguém para mudar isso. Seu destino está escrito na sua coragem de seguir em frente. 

O balzaquiano agora sabe, e por isso vai, passo a passo, dia a dia, respiração após a outra, passando os olhos no retrovisor de si mesmo, sorrindo sozinho, sendo grato ao divino, por ter lhe dado tudo que foi pedido, com amor, tesão, até em delírio. Lá vai um homem forte, dentro de si mesmo, cicatrizes, troféus e histórias, seguindo a música, abraçando seu destino, infinito.

Victor Matheus

SOMOS UM EM MULTIDIMENSÕES

Quando tinha 6 anos e recém chegado ao Roraima, meu único amigo era um garoto humilde chamado pelo apelido de Neneco, que morava na mesma rua que Eu, duas quadras de distância, de nome Uraricoera, no Bairro São Vicente.

Com o Neneco aprendi a jogar peteca, construir e soltar papagaio, atirar de baladeira nos calangos (sempre fui ruim de mira) e quando faltava luz, juntava outros vizinhos da rua pra brincar de bandeirinha e manja-esconde.

Também criávamos brinquedos artesanais juntos no quintal da casa dele, e quando ganhei meu primeiro violão, em 1993, e ele do irmão mais velho, aprendemos a tocar juntos.

Mais que amigos de infância e brincadeiras, Neneco e Eu compartilhávamos de muitos sonhos e ideias. Sua família era muito humilde na época, e a minha, recém chegada aqui, também batalhava para conquistar seus objetivos com dignidade.

Certo dia, estávamos brincando com "arma de pincha", tentando acertar alvos de lata com uma arma caseira feita com pedaços de tábua, uma tira de câmara de pneu e tampinhas de garrafa como munição.

Entre um "tiro e outro" lembro-me de nossa conversa ter caminhado para o lado "filosófico", e Eu, sem conhecimento teórico, filosófico e espiritual algum (era apenas um garotinho de 6 anos) comecei a divagar para Ele a existência de outros mundos, planetas, e realidades, onde nós mesmos habitávamos simultaneamente enquanto estávamos lá tentando acertar nossos alvos.

Falava com entusiasmo ao Neneco: "imagina que lá no céu existe outros planetas onde também há pessoas iguais a nós, falando de lá que existem outros planetas com pessoas iguais a elas, falando delas também."

Essa conversa, entre tantas, marcou-me de tal forma que nunca esqueci e hoje, quase 25 anos depois, ainda provoca em mim uma erupção de emoções e boas lembranças.

Quando descobri e aprendi a meditação, compreendi que aquela "viagem" minha de viver em outros planetas não era fantasia da minha cabeça, mas sim uma mensagem superior enviada até mim para ser compartilhada.

Hoje sou um adepto esporádico da Meditação, e quando vejo minha jornada seguindo por caminhos que possam gerar conflitos, me recolho ao meu Universo para encontrar respostas as minhas angústias emocionais.

Penso que todos nós, seres humanos, temos uma missão e um propósito quando aterrizamos neste planeta. Todos nós, bons, ou ainda adormecidos para a Luz, chegamos a esta dimensão para aprender e ensinar a outras consciências o caminho para o auto conhecimento e a iluminação.

É por isso que hoje, todo o trabalho que realizo no âmbito cultural, não se resume apenas ao entretenimento, mas sim conectar-se a outras ideias, e propor ferramentas para que todos que almejam evoluir como seres conscientes, possam desfrutar desse conhecimento livre e milenar que é propagado por muitos iluminados que aqui já viveram, Jesus, Buda, Osho, Chico Xavier, entre outros.

O auto conhecimento é uma ferramenta preciosa que se usada com sabedoria nos permitir desapegar dessa realidade 3D e nos levar ao infinito.

No Festival Canto das Árvores podemos oferecer e compartilhar este conhecimento através da Meditação em Grupo no Pôr do Sol, e quando estava contemplando aquele momento, recordei-me do meu amigo, da minha infância, da minha jornada e de tudo que vivi e experimentei até aquele momento de contemplação sublime.

Sou muito grato a Vida por ser parte desse Planeta, desse Universo, e poder compartilhar um pouco do que aprendi na minha jornada com outras pessoas.

A mudança começa em você. É por isso que sigo em frente, e não importa os desafios que apareçam, se tivermos amor e gratidão, o Universo conspira a nosso favor.

Gratidão a todos que estiveram no Festival Canto das Árvores, participando das atividades e me proporcionando momentos de iluminação e paz plena. Por experiências assim que jamais desanimo de fazer cultura.

Que o Universo abrace cada um que esteve lá compartilhando comigo o mesmo pensamento.

E sobre o Neneco? Ainda somos amigos. Ele venceu na Vida, e sempre que nos encontramos, recordamos nossa infância de pés descalços e muitas alegrias. Namastê.

Victor Matheus.

COWBOY ASTRAL

Pensei hoje no passado. Abri aquela janela das lembranças que nos permite navegar lucidamente por caminhos outrora retratos de parede, outrora fotografias sensoriais de sentimentos comprimidos num átomo sináptico cerebral. 

Veio à tona um vulcão de pensamentos, condensados em energias cristalinas, me arrebatando de imediato ao centro de minha glândula pineal... Estou aqui de novo, habitando a luz. 

Mergulhei nas lembranças, nos sonhos juvenis de navegar pelo espaço, nas fórmulas divinas de um profeta quântico, em multiversos, em reversos e versos unidos num só corpo, num só ponto, num só encontro com o ar... 

Tiras de Grave Frito detonaram em minha consciência flashs astrais de impaciência, e uma voz latente, lá de dentro, bem no fundo do poço profundo do silêncio, me socou no peito com um único desejo... Voar. 

Segui o groove do pensamento, flutuando, suavemente numa nave cósmica de chama violeta, Embassador de Ritmo, sentindo cada nota vibrar o períspirito do meu ser, sintonizando sua frequência com o alto, ao ponto de não sentir mais meus pés tocarem o chão. 

Duas asas cristalinas, translúcidas transmutaram em meu dorso... Um ser Alado repousou diante de mim. Seus olhos emanavam chamas brancas, disparando um raio de luz prateado, envolvendo-me num manto circular de energia, Sintonia Ácida, curvando meus joelhos... Ergui meus olhos, e pude contemplar toda a existência divina, toda a chama acesa que habita cada ser vivo habitante da grande nave Gaya... 

Uma Lambada Mal Assombrada martela em meus ouvidos... Sinto que não devo permanecer aqui, mas os joelhos, ainda curvados, imóveis, não me deixam levitar... Enquanto isso... O lado escuro da lua se aproxima de mim, levando minha “Cabessa” pro cosmos. 

Quasares pulsam no firmamento, refletindo uma Feiura Indiscreta, de imagens distorcidas, filtradas por camadas fotoelétricas de antimatéria, num turbilhão confuso de realidade... Perguntas inflamam dentro de mim... Afinal Quanto Vale o bilhete dourado que abre a Saída e te liberta para ser um Cawboy Astral?

* Victor Matheus

JANELA DO FUTURO

"O passado está na tua cabeça. O futuro está nas tuas mãos."

Aos seis anos, tinha a estranha certeza que no mesmo momento, em algum lugar no Universo havia um outro “eu” fazendo coisas diferentes de mim. Lembro de conversar com meu melhor amigo na época, o vizinho da rua de baixo, enquanto saíamos a tarde depois da escola para andar de bicicleta pelo bairro, e ficar lhe contando que num planeta lá no céu, num daqueles pontinhos brilhantes chamado de estrelas, havia um mundo igual, em partes, ao nosso. Falava que existiam clones com vidas diferentes, e até nomes diferentes e chegava a constatações mais complexas: Seriamos do mesmo sexo? Da mesma cor? Falaríamos a mesma língua? Nasceríamos no mesmo país? Na mesma família?

Desde então tenho comigo uma convicção inabalável que a Vida é mesmo plural e indomável, um infinito de possibilidades, surpresas, carinhosamente batizada de futuro. Onde me encontro hoje jamais esteve nos meus planos de outrora, mas nem por isso estou triste. Tenho mais do que poderia merecer nesse planeta, porque antes, por não compreender o mundo, desejei não estar aqui. Talvez em alguma estrelinha distante lá no céu.

Todos os dias ao despertarmos pra Vida, encontramos diante de nós várias janelas dispostas. Prefiro as janelas do que portas, pois ao conquistá-las e fechá-las, dificilmente poderemos retroceder. Assim fui fazendo as escolhas de minha Vida, escolhendo janelas e percorrendo caminhos infinitos, de piso amarelo, de espinhos, de escuridão e de luz. Em todos eles, sempre encontrei outras janelas, surpresas e oportunidades de mudar a direção.

Com o tempo, fui percebendo que mesmo caminhando e mudando a direção dos meus passos, invariavelmente antigas janelas tornavam a abrir diante dos meus olhos. Algumas fechei por definitivo, e outras afetuosamente deixei entre abertas para não esquecer. Assim meus dias seguiram, o futuro cada vez mais próximo, e os planetinhas lá no céu mais distantes.

Curioso que sempre fui, muitas vezes me atrai pela escuridão e pulei em abismos sem fim. Quantas noites mergulhei no desespero do caos, na angústia de ter as veias cortadas até o ar parar de encher os pulmões... Estranhamente algo sempre vinha ao meu encontro, me confortando, acalmando e me fazendo enxergar a Luz. Por muitas vezes, mais que cabe nos dedos das mãos, me desapeguei desse plano por não suportar o caminho que escolhi... Clamei, e entre lágrimas e peito encolhido, o futuro me surpreendeu.

Dessa maneira estranha, volátil e suicida cheguei até aqui, contemplando hoje a Vida e amando cada segundo de minha existência consciente nesse planeta. Vez ou outra encontro pelo caminho alguma janela aberta, um delicioso convite, e aquela sensação outrora adormecida, me contamina tirando minha lucidez. Realmente devo ser um louco, mas dizem que os loucos são felizes, não é mesmo?

O que sei, ainda pouco da vida, é que não precisamos buscar respostas. Deixa o vento empurrar teu barco pro porto, pelo acaso, pela energia. O bom do futuro é que pode nos surpreender. Nos permitir recomeçar. Querer sempre sorrir. Receba a Luz, se purifique e não tenha medo do futuro. Ele pode te surpreender.

Victor Matheus.