A MEDIDA DO SUCESSO

Sabemos o que ser de nossas vidas desde o momento da concepção. Está impresso no DNA as características físicas, emocionais e vocacionais. É uma conclusão empírica que faço apenas considerando a sabedoria adquirida nos meus poucos anos de existência física nesse universo.

A busca pelo sucesso é uma ação exclusivamente pessoal. Cada um de nós, e somente nós, podemos determinar a medida dele: Para uns, um bom emprego que pague as contas, casamento, filhos, a compra da casa própria, a serenidade espiritual e o bem estar físico. Para outros, a ambição se torna maior, ultrapassando o senso comum e priorizando o lado material. Nesse contexto podemos colocar grande parte das pessoas, sem julgar suas razões.

Decidi ir contra a maré. Após 10 anos de carreira artística, atingi satisfatoriamente meu ideal de sucesso. Conquistei tudo aquilo que me propus como músico a fazer. Gravei canções e discos, fiz shows e turnês pelo Brasil de Norte ao Sul, dividi o palco com grandes ídolos da minha juventude, viajei de barco, ônibus, avião, carro, carona, fui reconhecido por fãs em lugares pitorescos, dei autógrafos, e como diz o rei Robertão “...chorei, sorri...emoções eu vivi”.

Não alcancei o status de astro em nem tenho essa pretensão. Deixo para os prepotentes. Tão pouco ganhei dinheiro suficiente ao ponto de fazer da música uma profissão. Passo pouco mais que dias contatos durante o ano na estrada, divididos em finais de semana por conta dos compromissos de trabalho, estudo e pessoais. Sou feliz por ter vivido tudo isso e não mudaria nada.

O reconhecimento como artista e músico influente admirado pela minha arte, uma voz que sempre é ouvida e valorizada por suas opiniões, o aplauso do público, proporcionar diversão para as pessoas que me assistem mesmo que muitas vezes sendo menos de algumas dezenas, a satisfação de dividir o palco com dois amigos,gozar do prazer de estar fazendo o que mais amo nessa vida e dar orgulho aos meus pais são as conquistas que sempre almejei quando era apenas um garoto afoito, magro, cabeludo, cheio de espinhas, com violão nos ombros e um sonho de ganhar o mundo.

Não pretendo ser exemplo de nada pois cabe a cada pessoa saber onde quer chegar e que sucesso alcançar. Sinto apenas uma vontade de compartilhar minha história, para quem sabe servir de inspiração ou simplesmente um exemplo do que não fazer para aqueles que compartilham dos mesmos sonhos que eu. A vida é muito breve para nos lamentarmos por aquilo que deixamos de fazer por medo, receio ou dúvida. Por isso, corra atrás dos seus sonhos,seja determinado e serás um ser humano completo em sua essência, em paz com o espelho e feliz consigo mesmo.

* Victor Matheus

QUANDO PEDIR PERDÃO?

Quando jovens, temos a certeza equivocada que somos os senhores do nosso destino, com poder sobre a própria vontade e convictos que todas as escolhas que fazemos são as corretas e melhores para nossa vida.

Não percebemos que nos falta ainda um longo caminho para percorrer até atingirmos maturidade espiritual a fim de lidarmos com situações delicadas e escolhas definitivas que podem mudar nossas vidas e nos levar a um caminho que jamais projetamos.

Quando jovem fui assim, impulsivo, sonhador, aventureiro, volatilmente apaixonado pela vida e pelo amor, por histórias de amor que só lia em livros baratos e antigos de bancas de jornal. Cometi os erros mais estúpidos em nome do amor, talvez por querer negá-lo, por não suportar sofrer mais ou por não saber lidar com a dor da ausência do que tanto me completava e necessitava desesperadamente ter colado em mim.

Procurei projetar em outra pessoa a ilusão daquilo que precisava para suprir a falta do que me completava. Pensava eu que minha escolha não seria nociva, por querer por vontade própria que ela fosse passageira, e foi aí que cometi o maior erro até então de minha vida: Acreditar que segredos jamais serão descobertos.

Quando se ama verdadeiramente e se erra, você se revela, por culpa, por remorso, por medo de perder o que tanto zela e tanto ama desesperadamente. Diferente da grande maioria das pessoas, que cometem seus erros e oculta projetando a culpa em circunstâncias chulas, eu não conseguia deitar a noite na cama e ter um sono tranqüilo. Traí não apenas a quem tanto amava, mas aos meus princípios, a tudo aquilo que sempre tive orgulho de sustentar.

Por querer negar o que a vida me dera com tanto carinho, joguei no precipício toda uma possibilidade de uma história que só lia em contos de amor. Joguei fora um motivo pelo qual acordar todos os dias, por lutar para que o hoje fosse mágico, o amanhã sonhado entusiasmadamente e o ontem guardado com carinho.

Fidelidade é mais do que apenas estar disposto unicamente para uma pessoa. Têm haver com princípios, com planos, com sonhos, com o amor próprio e universal. A fidelidade amorosa vai mais além, pois mexe com seu interior e te coloca a prova, ainda mais quando se está distante. É provação pior que tortura física, pois machuca o coração lá no fundo onde só quem passa por isso sabe do que escrevo.

Como um ciclo, a vida me deu outra chance, numa nova história de não cometer os mesmos erros. Agora, com o espírito mais forte e sereno, posso compreender melhor as provações que passamos para ter aquilo que mais desejamos no mundo, e entender que para amar e ser fiel a um sentimento basta apenas desejarmos e cultivarmos aquilo no que acreditamos e nos completa verdadeiramente.

* Victor Matheus

A MEDIDA DE AMAR


Minha existência nesse mundo contabiliza um breve tempo até agora. Pouco mais de 24 anos, quase 25 completos, de muitas histórias, experiências, decepções, alegrias e momentos inesquecíveis, duros, sublimes, melancólicos e surreais.

Aos 14 anos descobri como expressar minhas emoções através das palavras, de rimas, de textos, e desde então não parei de escrever mais. Com 14 anos também tive uma experiência que me fez ver além das palavras como forma de me comungar com o mundo: a música.

Nesses tempos já tinha meu violão, mas o sonho de ter uma guitarra nascera; nesse tempo já ensaiava com banda, mas o sonho era fazer um grande show, gravar um disco e viver de música; nesse tempo já tocava canções dos meus ídolos, e compunha minhas próprias canções; nesse tempo descobri o rock nacional, Engenheiros do Hawai, e a trilha sonora de minha primeira experiência com um sentimento até então desconhecido: o amor.

Tudo ao mesmo tempo , aos 14 anos. A primeira paixão de escola; o primeiro poema escrito declarando estar apaixonado; a primeira decepção amorosa; o primeiro beijo; o braço quebrado; a solidão; a descoberta que para viver nesse mundo, é preciso sobreviver a provações dolorosas; tudo aos 14 anos.

Uma música em especial marcou essa época, chamada Números, da banda gaúcha Engenheiros do Hawai. Uma das frases incluídas nela diz assim: "A medida de amar é amar sem medida". Até hoje essa pequena frase ventila nos meus pensamentos, e há uns dias atrás mais forte do que nunca.

Com 14 anos eu estava descobrindo o que é o amor e suas reações e relações com o mundo e as pessoas, hoje consigo decifrar o que é o amor, e gozá-lo de sua plenitude sem medir até que ponto ir, porque simplismente amo infinitamente, saltando num precipício de felicidade e num mar de carinho, abraços, beijos, fidelidade, confidência, olhares, silêncio e juras que jamais alcancei até então, por medo, por imaturidade, ou por não estar disposto a tal situação.

E nesse instante, com o peito sendo um lugar tão pequeno para guardar tal sentimento, e me faltando palavras para continuar escrevendo nestas linhas,porque obviamente estou emocionado, só posso terminar dizendo que o bom mesmo da vida é amar e ser feliz, em todas as formas, e que dádiva é para aqueles que descobrem isso cedo, como eu pude descobrir, que pra ser feliz se precisa de pouco, muito pouco, o suficiente para caber em uma palavra, num instante do tempo, capaz de mudar todo o sentido da sua vida, e a forma de vivê-la.

Amar é bom, simplesmente bom. Por isso ame, sem medo de sofrer ou se decepcionar. Se for verdadeiro, tudo ao seu tempo acontece, e tenho certeza que será uma experiência inesquecível para sua vida, bela e inspiradora. O amor é um presente de Deus, e se buscá-lo, será retribuido, da mesma forma e com a mesma intensidade, hoje tenho certeza disso.

Agora entendo que a medida de amar, é amar sem medida.
Amor e luz para todos hoje e sempre.

* Victor Matheus

BEIJAR A FLOR, SER A FLOR




Acordar com o dia chegando pelos raios de sol no horizonte realmente é uma dádiva que poucos gozam, por escolha ou necessidade. Aplausos aos que dão conta do prazer de comtemplar tal momento, e lamento aos "cegos" que deixam de flertar com as belezas desses sublimes instantes de vida plena pulsando ao seu redor.

Por algum tempo de minha vida, cerca de 1 ano, tive um trabalho que me exigia um esforço acima da minha capacidade física e mental, que consistia em acordar as 4:30 da manhã de segunda a sexta feira, incluindo feriados, que me forçava a ter um ritmo de vida pessoal e social diferente do que realmente me deixa livre pra ser quem sou sem as pressões da vida adulta.

Realmente admiro ainda hoje saber que há tantas pessoas felizes, levando suas vidas simples, acordando cedinho de manhã para realizarem suas caminhadas matinais e exercícios físicos, ou simplesmente comtemplar o dia se achegando e aquecendo o coração e fazendo a vida pulsar novamente.

Hoje, novamente retorno a esta rotina, digamos, exigente e disciplinar, por escolha própria e necessidade, mas com uma consciência que outrora não tinha. Comparando com a primeira vez, na qual fazia um esforço enorme para sair da cama, já de mau humor, com o céu ainda escuro, os galos cantando, a água fria do chuveiro e um cansaço físico enorme pelas poucas horas de sono, agora tudo acontece de forma diferente e interessante. Sim, ainda tem o céu escuro, os galos cantando, a água fria do chuveiro, mas também não há mais mau humor, cansaço físico e a vontade de voltar para cama (só quando está chuvendo).

Salta aos meus ouvidos e olhos velhas novidades. Me pergunto como não percebia antes a beleza de contemplar o sol nascendo no horizonte, os pássaros despertando com cantos que mais parecem músicas celestiais, a cidade despertando, os carros circulando pelas ruas, a rotina do dia a dia recomeçando e pulsando como um coração de beija flor acelerado suspendendo o corpo no ar como que levitando, e a beleza de saber que você faz parte de toda essa valsa e está vivo. Como eu não percebia isso antes?

As vezes ficamos tão cegos e programados as nossas rotinas diárias que esquecemos de contemplar o que há de belo ao nosso redor, e quando o tempo passa e não percebemos, pode ser tarde demais. Outros tempos minha rua não tinha asfalto, eu era moleque, jogava bola descalso, machucava o dedão do pé chutando pedra por engano, me divertia e era feliz, simplesmente feliz por que tinha tudo que precisava naquele momento, mas não percebia a beleza de estar pisando descalso na terra batida, sentindo nosso planeta pulsar e me energizando. Hoje minha rua tem asfalto, mas agora sinto saudade do chão batido, dos tempos de moleque que jogava bola.

De certa forma, mesmo atrasado, pude perceber a beleza de pequenas coisas que já se passaram em minha vida, e poderia citar tantos outros exemplos, todos tão sublimes e casuais que seria nostalgico e delicioso compartilhar nessas linhas.

Já não tenho mais a rua de barro, a bicicleta sem freio e as bolas de gude, mas para sempre terei as lembranças guardadas com carinho de tudo que vivi e não percebi estar vivendo, mas que o tempo me ensinou a amar e admirar, mesmo não podendo percorrer novamente o mesmo caminho, ainda que as cicatrizes me lembrem como podem ser dolorosos estes caminhos.

Nem tudo parece perdido no entando. Ainda tenho tempo do agora para frente de gozar com consciência de novas experiências, e dar valor a cada detalhe e segundo que estar por vir. A vida é tão sábia em sua forma de evoluir que realmente só agora entendo que é preciso dar tempo ao tempo para compreender onde estamos e o que somos nesse mundo.

Há amor em pequenas coisas, há felicidade em momentos simples, e há lições valiosas para se aprender com o mundo a nossa volta, só basta observarmos o que há ao nosso redor e compreender os sinais que estão escancarados aos nossos olhos, para então seguirmos em frente com mais sabedoria e equilíbrio.

Imagine só que momentos mágicos você está deixando escapar por estar triste, sofrendo, ou mesmo emburrado ou com sono? O mundo é grande demais para uma vida só, mas é esta que temos para viver, portanto goze de todos os segundos, saboreie cada respiração, sinta teu coração batendo forte e o sangue correndo pelos músculos, ouça mais seus pensamentos, e acima de tudo, tenha fé que sempre haverá dias melhores e novas histórias inesquecíveis para se escrever.

O sabor da vida está nos detalhes, nas pequenas conquistas, na forma como lidar com os problemas sem causar algo ruim para sí ou o próximo. Quando se aprende a desgustá-los, saberá que nada mais pode te fazer esquecer ou deixá-lo cego para o que há de bom no mundo lá fora.

Perceber a beleza do beija-flor suspenso sugando o néctar de uma flor é algo comum e lógico, mas perceber a beleza da flor, que espera pacientemente a visita do beijador de flores, é algo que poucos conseguem fazer.

Seja a flor, e o beija-flor, sem medo da escolha que fizer, e não deixe nunca de perceber a beleza das diferentes formas de viver cada instante que se passa em sua vida.

Luz, amor e positividade para todos.

* Victor Matheus

Paciência: A virtude dos sábios?




De uns tempos pro agora venho me observado calculadamente no dia a dia. Analisando, se é que pode ser possível, minhas atitudes diante da vida e dos desafios gerados por minhas escolhas.

Percebi que um dos traços de minha personalidade é a urgência de querer tudo para o agora, nesse instante, sem medida de consequências ou sequelas planejadas e o inevitável sempre acontece, de ouvir das pessoas que me falta a tal da paciência, o que não deixa de ser verdade, mas então porque tanta urgência em viver a vida em sua plenitude?

Que paradoxo louco esse, afinal admiro tanto as pessoas com mais vida, com mais idade, com rugas, cabelos brancos, me projeto de tal forma, e até nisso a vontade que seja agora me persegue em vez de dar tempo ao tempo e gozar de minha juventude livre.

Seria eu um rio em corredeira, um turbilhão de emoções simultaneamente, com ondas num mar revolto castigado pelos ventos, quando na verdade, jamais parei para admirar um lago calmo e sereno? Acredito que até agora sim.

Esta realmente é uma boa metáfora para se usar quando o assunto é ter paciência. Eis a questão: Ser rio, movimento, corredeiras em direção ao mar; ou lagoa, calma e serena, esperando o tempo passar e gozar da vida sem ação alguma; Há um meio termo para este dilema existencial?

Meu coração é de certa forma os dois opostos, alternadamente, e pode-se dizer, por ciclos também. Tentando explicar, seria algo, imaginem, um belo rio selvagem descendo dos montes, desbravando as terras por cachoeiras, corredeiras, dilacerando as margens com suas correntes de água, até atingir um grande, sublime e calmo lago, que reflete o céu azul, onde o mais simples tocar de um passáro no espelho da água, pode mudar toda a rotina do lugar.

Pra deixar tudo mais preto no branco, outro exemplo seria a clássica ressaca, mesmo que seja a moral. A loucura do descontrole, as insanidades, o terremoto de emoções e distrações, e no fim de tudo, aquele silêncio ensurcededor que se faz necessário para recuperarmos nosso equilíbrio físico e mental, não é verdade?

Aonde quero chegar com todas essas filosofias baratas de mesa de botequim ordinário? A lugar nenhum. A jornada é o objetivo, Já li isso em algum lugar, por certo que sim.

Minha urgência não está em exercer a paciência, ou mandá-la a merda e retornar a ser o volátil jovem inquieto, mas sim em compreedê-la e usá-la da melhor forma possível e racional quando achar necessário.

Sim, um pouco de loucura faz bem a vida também, por que não? Já experimentou correr pelado, pular da ponte ou segurar o ar debaixo da água? Toda sua vida passa num segundo, quando a coloca em perigo, e essa mesma vida passa quando se tem a paciência de esperar que ela aconteça naturalmente, sem forçar algo ou planejá-la como um jogo de xadrez.

Antes de qualquer decisão, viva, é isso que importa. Enquanto o coração bate e o tempo passa, não tem como retornar, pois as rugas chegam ,os cabelos brancos, o espírito amadurece, e se perde somente aquilo que quiser.

Não é preciso ser nenhum sábio para entender, que para a felicidade, basta encontrar o equilíbrio de equações simples do cotidiano. As vezes se espera a vida toda para entender o que é ser feliz, ser paciente, bom pai, filho e irmão, mas se não começarmos a buscá-la agora, pode ser tarde demais.

Por isso, que se viva, na loucura ou serenidade, que se viva, na urgência ou paciência, mas que se vida, se viva e seja feliz.

* Victor Matheus