TENTE OUTRA VEZ

Confesso que há momentos na vida que a fonte seca momentaneamente. Quando isso acontece o que fazer? Buscar no divino as respostas para nossas angústias? Nos encolher feito casulo, repelir tudo e todos por medo ou insegurança, ou apenas ter paciência e esperar um novo sol nascer?

O ano de 2011 marcou profundamente minha existência em todos os aspectos. Como uma verdadeira montanha russa, fui do alto ao profundo das emoções, oscilando ciclicamente, experimentando todos os sentimentos dia após dia, vivenciando novas histórias e reescrevendo meu destino. Também foram muitos os tropeços, mas em contrapartida muitos sorrisos eu vi brotar no rosto das pessoas que amo, e em mim mesmo. No final dessa jornada vi que tudo, torto ou reto valeu a pena.

Valeu a pena cada dia, mesmo os ruins, os de angústia, de abraçar o travesseiro e chorar, os dias chuvosos, de solidão, de incertezas, de medo de estar caminhando no escuro. Valeu a pena cada segundo que respirei, sentindo o sopro da cruviana encher meus pulmões de vida, compartilhar as alegrias, os abraços, o beijo, o sexo, o amor, a paixão... celebrar as amizades verdadeiras, me reencontrar depois de caminhar perdido sem direção, me refazer, reinventar, aceitar os erros, e principalmente exercer  o amor.

Quantas vezes a gente pode ter durante o ano o privilégio de tentar outra vez? De recomeçar, mesmo sabendo que tropeços poderão acontecer e mesmo assim mergulhamos no abismo infinito das possibilidades que a vida nos dá de sermos felizes? Já parou para pensar como somos privilegiados, e mais ainda, abençoados por ter a chance de caminhar nesse mundo, mesmo que as vezes nossa estrada tenha espinhos e topamos em pedras nem sempre boas? Pare por um segundo e reflita, olhe ao seu redor, filtre tudo e deixe apenas as coisas boas. Consegue sentir novamente a mesma emoção do passado ao lembrá-lo? Sente o coração batendo forte quando se lembra do beijo demorado, do cheiro da pele, do corpo quente após o gozo, do sol nascendo, brindando uma noite inesquecível?

Devemos apenas, somente mesmo, e isso eu faço pra mim uma regra, guardar apenas o que foi bom durante todo o ano que passamos. As experiências negativas também se tornam válidas como aprendizado, mas desnecessárias de serem cultivadas no coração. Deixe pra lá o que aconteceu de ruim, afinal lágrimas também fazem parte de um belo rosto, e as vezes, ou melhor, muitas vezes são o melhor remédio para curar as feridas adquiridas em nossa caminhada nesse mundo. Use a vassoura do esquecimento para deletar do seu espirito aquilo que não soma mais a sua vida.

Entre tantos segredos do mundo novo, o mais nobre de todo é o cultivo do amor, em toda sua amplitude. A lição que fica no fim de mais esse capitulo de nossa vida é que sem amor no que fazemos, no que sonhamos, no que vivenciamos tudo perde o sentido. A paixão nos move todos os dias, e este desejo deve permanecer sempre. Sem medo, sem receio, se for preciso a gente pula no abismo quantas vezes for. Tente, tente outra vez, e de novo, e mais uma vez, e não desista nunca de buscar sua felicidade. Eu aprendi que para ser feliz não precisa de motivos. Também aprendi que se a gente abraça o mundo, o mundo nos abraça.... é como sempre compartilho: Que hoje seja um ótimo dia, o melhor da nossa vida, porque tudo acontece agora e não há tempo para se perder. 

Feliz 2012.

Victor Matheus

A COR DO PECADO


Um simples gesto. Apontou os meus olhos instintivamente para o seu mundo. Estava ela adornada de sorrisos, belíssima em retrato, envolta num manto vermelho exalando fogo e paixão, quase uma deusa estrelar de fruto proibido, ainda que saboroso e tentador, mas proibido.

Não sabia ainda de minha devoção até aquele instante, mas fui desarmado contra vontade com a tal situação. Não há mais como esconder esse fogo que arde no peito, essa vontade insana de lhe rasgar os tecidos, de assoprar seu corpo lentamente até sentir os pelos arrepiarem. O que está acontecendo comigo? Aonde chegarei com estes devaneios? Será o fogo da paixão consumindo meu equilíbrio?

Lentamente fui acordando desse delírio, me impondo uma auto censura necessária para aplacar os pensamentos carnais imaculados. Pouco adiantou. Aquele quadro pintado de beleza não sai mais do pensamento. A vontade de tê-la corpo no corpo, trocando fluídos, saciando a libido está consumindo meus dias desde então. Que aperto estranho no peito, que descontrole é esse que me domina? Aonde esse rio de desejo vai transbordar?

Com disfarce, sutilmente procuro insistentemente sufocar as idéias mais insanas que agora habitam meus pensamentos. Confesso ao espelho os meus segredos, vomito no papel as angustias, a tortura de ouvir a respiração dela e navegar em pensamentos impróprios para tal situação...

Só me resta relutante, sufocar essa vontade danada e sem jeito de pegá-la pelo quadril e lhe arrancar um beijo! A lógica grita ao pé do meu ouvido que eu mantenha o respeito... A cor do pecado tem nome, tão musical que posso pronunciar pausadamente no relevo daquele corpo, mas tudo que tenho é somente um retrato, um definitivo retrato que tirou a paz e o meu sossego...

Victor Matheus

#fragmento do conto A COR DO PECADO.

O CAMINHO DA FELICIDADE

Certa vez um tal Gandhi disse que “Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho”. Não sei de que forma esse simples mantra pode ecoar no seu coração mas no meu causa sempre uma profunda e positiva reflexão que me faz enxergar além da linha que beija o horizonte e suspende minha consciência ao ponto de me comungar com o divino.

Acredito no poder das palavras, na capacidade que elas têm de transformar profundamente nosso inconsciente que por muitas vezes está seco de sentimento e vida por algo magnífico como um quadro de Da Vinci, uma melodia de Paganini, um céu estrelado de verão, um álbum de fotografia da nossa infância, um passeio no parque de diversão.

Tem dias que a gente acorda com vontade de andar sem direção, apenas caminhar para frente, seguir sem olhar para atrás, divorciado da saudade, sem pensar num abraço compartilhado, num sorriso que te faz bem, um último pensamento de carinho a quem se ama antes de adormecer e se revitalizar para um novo dia, um novo sol nascente... Simplesmente caminhar sem destino, sem medo do mau, apenas ouvindo a voz do coração e conversando com o silêncio.

Há dias intensos também, que dá vontade de engolir o mundo num gole só! A ordem é fazer tudo no agora, de imediato, e pra já, sem censura ou medida de conseqüências quase sempre nocivas quando a vontade é da carne e não do coração... É uma vontade danada de respirar todo ar do mundo, de querer distribuir sorrisos, doar amor, se dividir em mil pedaços, virar luz e ainda assim continuar vivo. Uma mão dupla de ação, energia, sentimento, que nunca tem ponto de chegada. As vezes é até estranho, mas quem nunca sentiu isso um dia?

E ainda há dias de se pedir perdão, de refletir sobre os erros, de purificar o espírito, de estender a mão e se permitir outra chance. São dias de recomeço, de novos ciclos. Mas e as palavras e seus poderes místicos que citei no começo da prosa? Ah! O segredo está bem diante de nossos olhos, basta crer... Porque perder tempo reclamando da vida, quando a mesma vida te dá infinitas possibilidades? Por que lamentar o que passou e que nunca mais voltará se na próxima esquina pode estar um novo amor? Por que se entorpecer de ilusão ou fingir que está tudo bem ao invés de derramar lágrimas sem receio, apertar o travesseiro e esperar a chuva passar? Não há por que ter vergonha de nossas fraquezas.

São dias assim que percebo como sou um cara de sorte, abençoado por ter o privilégio de fazer parte desse universo, me encontrar e reencontrar infinitamente, por estar sempre buscando estabelecer laços verdadeiros e sinceros de sentimento e afeto com outras pessoas, trocar abraços, olhares de carinho, apertos de mãos, sentir o calor do espirito transcender a matéria e caminhar para frente. Eu sou mesmo um cara de sorte e eternamente grato por essa dádiva.

E o poder das palavras? Existe mesmo? Já dizia Drumond que “Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade”... Ainda bem que não sou o único que pensa assim.

* Victor Matheus

OPERAÇÕES MATEMÁTICAS DO DIA A DIA


Encontramos em nosso dia a dia muitas metáforas dispersas aleatoriamente que podemos aplicar de forma prática, dinâmica, que realmente são capazes de transformar nossas vidas. Uma delas me chamou a atenção essa semana, durante alguns momentos quando o pensamento toma conta do corpo e paramos nossas ações repentinamente. Cheguei a seguinte conclusão que podemos aplicar as operações básicas da matemática em situações das mais diversas do cotidiano, podendo colher bons frutos. É claro, não podemos generalizar a receita mas experimente utilizar também.

Compartilho então algumas dessas “metáforas”, que pelo menos para mim, funcionou de forma satisfatória, então vamos dividir com os demais. Porque não? Opa! Está vendo aí? Acabamos de aplicar uma operação, a divisão. Divida seus pensamentos, seus sentimentos, e não exite nunca em demonstrar para quem tem valor em sua vida o quanto essa pessoa é especial. O mundo está carente de afeto e nada melhor que se dividir para multiplicar.

Multiplicar? Aí está outra operação matemática em nosso dia a dia. Não falo exatamente de perpetuar a espécie, mas de multiplicar boas energias e vibrações. Sorrisos distribuídos gratuitamente multiplicam sorrisos, abraços igualmente, e um bom dia para o “vizinho” do banco ao lado do ônibus com certeza se multiplicará em outros logo a seguir. Somando as forças em favor da mesma ação podemos tornar simples gestos forças geradoras capaz de transformar a vida de quem nem imaginamos. Já sonhei isso certa vez.

Então se somamos forças, estamos aplicando outra operação matemática, por que nada melhor que somar nessa vida. Mãos unidas tem força maior, mentes trabalhando no mesmo objetivo reduzem o tempo de esforço e assim por diante. Isto é somar, e ir mais além. Podemos em qualquer situação somar com o próximo ao lado, como por exemplo na faixa de pedestre, quando uma senhora ou senhor de mais idade precisa de auxílio e muitas vezes necessitam de alguem para estender a mão e ajudá-los a atravessar a rua. Porque não fazer? Por medo? Por vergonha? Negar ajuda não faz bem e empobrece o espírito.

Agora você se pergunta: E a subtração? Onde fica nessa história toda? Poderia aqui discorrer sobre essa operação e contextualizar com nosso dia a dia, mas este exercício deixo para você que compartilha comigo esse espaço. Multiplique essa semente e ajude a somar a corrente de bons pensamentos, energias e vibrações, porque afinal muitos por aí pensam no lado negativo da vida, em reclamar de tudo, com medo do fim do mundo e esquecem de viver o agora, pensar para frente e não se machucar ao olhar para atrás. Para mim, menos também é mais, pois onde não há, seja o que houver, devemos levar, fazer diferente e transformar de forma positiva, para depois dividir, e se multiplicar. Assim o ciclo se repete. Exercite. Fará bem para você, como faz para mim. 


* Victor Matheus 

TEMPOS SABÁTICOS

A vida é um eterno ciclo de capítulos com início, meio e fim. Cada um deles, em suas dimensões, quando unidos pintam um belo livro, de ficção, realidade, romance, drama, comédia, ou tudo junto e misturado.

Eu, enquanto ser pensante não ligo muito para as coisas materiais desse mundo, apesar de ser réu confesso quando o assunto são os vícios, pois muitos deles eu tenho, mais cármicos do que materiais, mesmo assim vícios que precisam ser extinguidos.

Ser viciado em sentimentos nem sempre é bom pois acabamos nos tornando dependentes de tal elemento que não podemos comprar em bocas de fumo, em casas noturnas ou na parada do ônibus tornando-os raros e extremamente danoso ao espírito. Encontramos apenas dentro de nós mesmos e quando temos uma overdose, sucumbimos de vez ou nos tornamos mais fortes.

Temos então várias formas de vícios, mas como lidar com todas elas? Há tratamento para os eternos amantes? Para os viciados na dor? Para os representantes do desapego? Para os missionários da misericórdia? E quem pode julgar o que é certo ou errado, o torto ou o reto?

Quem sabe é a hora dos tempos sabáticos, da reclusão, da autoflagelação do espírito para expurgar o que há de excesso e preencher o que está vazio. Precisamos cultivar mais a compaixão, a fidelidade e boas vibrações. Falta abraço nesse mundo, sorrisos e apertos de mão e tem sobrado tanta indiferença, egoísmo e solidão que chega ao ponto que dizer palavras simples e sinceras soam como caretice ultrapassada ou papo sentimental.

O que é certo e errado nessa história toda? Sinceramente não sei, mas sei que se nos virássemos do avesso e colocássemos na mesa o que há de mais secreto em nossos corações, talvez o mundo seria mais colorido, justo e harmonioso. Nisso eu acredito.

* Victor Matheus