DEUS EXISTE


Há quem acredite que milagres acontecem. Há quem diga que Deus é apenas uma alegoria da mente humana para suprir nossos medos e dúvidas. Há quem diga que Deus é tudo que está em volta de nós. Há quem diga que Deus é o universo. Eu acredito que Deus é a própria vida em si, tudo que está em volta e dentro de nós, a própria luz, o caminho, o presente, o início, o meio e o fim.

Certo dia minha esposa, minha filha e eu fomos até uma pizzaria para jantar. Nada demais. Um passeio numa noite de sexta-feira quente do norte do Brasil. Um ambiente compartilhado com outras famílias, todas felizes, em ceia. Conversas paralelas. Sorrisos. Fome, espera, e uma atmosfera agradável. Era apenas mais uma noite qualquer em minha vida. Aguardava pacientemente numa conversa animada com minha esposa o nosso pedido do cardápio chegar, até que ouvi aquele som impactante! Bum! Minha visão correu para a avenida a frente de onde estávamos a tempo de presenciar uma cena dolorida: Um carro vindo em alta velocidade acertando em cheio um cachorro de rua qualquer, que ao receber o impacto deu uns 4 rodopios no próprio eixo e caiu aos grunhidos de dor! O carro não parou para socorrer o animal, e prontamente, com o som impressionante do impacto do automóvel no cachorro, todos tiveram subitamente suas atenções voltadas para a rua...

Pelo som do impacto do carro com o cachorro e a angústia que o animal emitia com seus grunhidos, era fácil concluir que tão logo aquela vida estava se esvaindo, e não tardaria muito a deixar este planeta... Um sentimento de revolta ficou latente na face de todos que presenciaram aquela cena... Prontamente um rapaz levantou-se de uma das mesas e foi em direção ao cachorro que estava no meio da avenida, em agonia, com as pernas tortas e movimentos espasmáticos... Era dolorido demais ouvir aquele cachorro clamando por socorro e não poder fazer nada... Sentimos no ar uma certa melancolia, um aperto no peito... Neste instante Me perguntei porque alguém faria um mal tão grande à um ser vivo e o deixaria ali, para morrer, ou novamente atropelado por outro veículo, ou mesmo por conta dos ferimentos causados pela colisão. Me indignei! Não aceitava aquela situação! Tentei distrair minha atenção numa conversa qualquer com minha esposa, uma brincadeira com minha filha, mas não conseguia me desligar daquela cena...

Segundos após a colisão, um rapaz levantou-se de uma das mesas da pizzaria e foi em direção ao animal agonizante... Prontamente se pôs a frente dele, gesticulando para os carros diminuirem a velocidade... Muitos curiosos levantaram-se das mesas para observar aquela cena melancólica, como uma platéia assistindo o desfecho trágico da vida de um ser. Ao mesmo tempo, uma dor lascinante brotava no meu peito a tal ponto que pensei em deixar o local por não suportar presenciar aquela cena até que algo inesperado aconteceu: Subitamente os grunhidos de dor do animal sumiram! Não mais que num piscar de olhos o animal levantou-se do asfalto e saiu caminhando calmamente pelas ruas! Todos, inclusive eu, ficaram de queixo caído com aquela cena! Como pode um animal atropelado por um carro em alta velocidade, estar ali, deitado praticamente em seu leito de morte, agonizante, com as pernas visivelmente quebradas simplesmente levantar-se e sair andando? Ao presenciar aquele verdadeiro milagre da vida, não exitei em dizer a minha esposa: “Deus existe”.

O cachorro deu mais alguns passos, emitiu alguns latidos, as pessoas sentaram-se em suas mesas, e o clima palpável de dor deu lugar a uma atmosfera de felicidade. Fiquei simplesmente entorpecido com o que acabara de assistir e também feliz por ver aquele cachorro em pé, intacto, caminhando novamente... Algum tempo depois, ainda aguardando o meu pedido ser entregue, o mesmo cachorro passou ao meu lado, parou, me fitou com os olhos brilhantes da cor caramelo e seguiu sua caminhada por uma outra rua até sumir da minha visão.

Há alguns dias atrás, para minha surpresa encontrei novamente o mesmo cachorro perambulando por uma rua qualquer. Desci do carro e corri em sua direção para tirar uma foto. Precisava registrar aquele ser para comprovar meu testemunho. Novamente ele me fitou com seus olhos caramelos, eu afaguei sua cabeça, ele olhou para mim por alguns segundos, abanou o rabo e seguiu novamente. Fiquei literalmente congelado, contemplando aquele cachorro seguir seu caminho, sozinho, livre. Pensei em resgatá-lo e adotá-lo, mas uma voz dentro de mim insistiu para deixá-lo partir... Se o cachorro é real eu não sei, mas tenho certeza que Deus, ou seja lá o que há acima de nós e que rege esse universo, mostrou seu poder diante dos meus olhos, e reafirmou mais uma vez para mim e todos que testemunharam o mesmo que eu que nada nessa vida é impossível, inclusive para um cachorro, ser atropelado e levantar-se para uma nova vida, dada por milagre, por Deus, ou simplesmente pelo acaso. Não importa. Ele está vivo, e isso basta.

Victor Matheus


A INVEJA TEM FACEBOOK

“Cuidado! A inveja tem facebook”.

Com o surgimento das redes sociais a partir do novo milênio, as relações pessoais, interpessoais e sociais minguaram da vida real e migraram para o mundo cibernético. Hoje, é praticamente obrigatório, além de termos os registros civis tradicionais (carteira de identidade, cpf, e afins) também contas em diversas redes, principalmente no twitter e facebook. Vivemos os tempos do ciber-universo-ilusório, onde o que importa agora é o número de seguidores, de curtidas das postagens, e não mais o que realmente temos de dar valor nessa vida: as relações verdadeiras, humanas, reais e palpáveis.

Por conta desse fenônemo, novos hábitos passaram a fazer parte do dia a dia em nossa sociedade. Opiniões são expostas publicamente a torto e direito, onde todos se acham com a razão, com o direito de julgar o próximo, surgindo discussões e debates acalorados, ofensas, revolta, repúdio, indignação, sarcasmo, provocações, críticas e principalmente muita asneira! Após quase 20 anos da revolução tecnologica que nasceu da necessidade do homem em aproximar as pessoas, hoje a internet, em especial as redes sociais, distanciam e até sepultam amizades outrora verdadeiras e desprovidas de vaidades e status por conta desse espírito latente de egocentrismo que contamina o mundo virtual.

Vejo, dia após dia, principalmente no facebook, um universo totalmente diferente do que é a vida real,  na qual tudo realmente acontece pra valer. Enquanto no facebook, as pessoas se preocupam quase que paranoicamente em retrucar os comentários alheios, de outras pessoas que nem se quer tem alguma relação com os seus detradores, a vida real continua, e esta vida é a que temos que dar foco, pois é no mundo real onde tudo que alguns pensam que no mundo virtual faz sentido, realmente é posto a prova. Aqui, do lado de fora do computador, não há espaço para a dissimulação. Você é o que sua essência demonstra, mesmo contra a vontade.

As redes sociais acabam sendo apenas um reflexo do que as pessoas são no mundo real, o que me faz chegar a uma conclusão: A inveja tem facebook! Há muitas pessoas que dedicam suas vidas a se preocupar com o que você pensa, o que você compartilha, o que você comenta, e busca sempre retrucar, se opor, provocar, e se esquecem que isso apenas afetará a si mesmo, afinal, qual o sentido de tomar as dores de alguém ou de algo por conta de um comentário alheio? Incomoda tanto você compartilhar ideias que muitos  agregam, ou simplesmente discordam, mas respeitam? Aí, o efeito dominó começa, e quando menos se espera, as máscaras caem, as verdades se revelam, e no pior dos casos, acompanhado de ameaças públicas embebidas de escandalosos erros de gramática... Isso me dá pena!

Por isso, a cada dia que passa, me distancio mais do mundo virtual, por estar se tornando  sem graça, repetitivo, sem algo a acrescentar de fato a minha vida. Não é no facebook que encontro a paz interior. Ele não me da uma manhã de sol ao lado da minha filha, um abraço apertado e acolhedor da minha mulher... Não encontro em redes sociais algo que me desperte tanta alegria como compartilhar com os amigos um pôr do sol na beira do rio.  O que recebemos da vida é apenas o que damos para ela. As vezes compartilhamos amor, tanto na vida real como no cyber mundo, mas nem sempre recebemos o mesmo, talvez porque estes espaços, principalmente os virtuais, estão cheio de pessoas sem mais nada de importante para fazer na vida, e que tomam a vida dos outros como um motivo para ocupar as suas, e fazem de tudo para tornar a vida de quem inveja algo ruim, mas esquecem que  não importa como ou quanto tente incomodar aqueles livres e imunizados desse mal... Um dia apenas abrirão os olhos , se enchergarão nos espelho e perceberão o quanto foram medíocres em perder o tempo de suas vidas se preocupando em fingir ser o que não são, ou pior, invejando a felicidade alheia. Enquanto alguns finge uma vida de comercial de margarina nas redes social, eu vivo de verdade, feliz, em paz comigo, e com o meu mundo.

* Victor Matheus

ASSEPSIA DO MAL

Deletei do meu coração aquela parte que diz que ajudar as pessoas lhe traz coisas boas... Só tenho recebido o oposto, o que me faz concluir que: Ou sou um cara muito ingênuo ou as pessoas nesse mundo são mesmo egoístas.

Cheguei a esta conclusão após atravessar uma longa jornada em que me propus a mudar o meu mundo, fazendo dele um ambiente melhor, mais legal, mais divertido, mais interessante, mais bonito, e porque não mais supimpa para viver? Infelizmente, a vida arrancou o véu que ludibriava meu coração e me fez perceber que nem sempre que se planta amor, colhe-se amor. Também não quer dizer que devemos jogar a toalha quando nem sempre aquilo que planejamos para nossa vida, nossos sonhos e objetivos acabam por se desfazer... Apenas temos que deixar nossa mente, espírito e coração livres e abertos para reconhecer que mesmo com nossos esforços para tentar mudar o que há de ruim a nossa volta, nem sempre podemos fazê-lo, e não por falta de vontade, mas simplesmente porque há mais energia negativa para “combater”, do que energia para somar, e mais agravante ainda, quando sua “luta” é solitária tudo se torna mais desgastante...

Sempre acreditei que todos os sonhos nesta vida são possíveis, basta querer. Há quase dois anos compartilho nestas linhas determinadas filosofias de vida que sigo, por acreditar que ao multiplicar esse conhecimento, esses princípios, levá-los ao maior número de pessoas possíveis, realmente posso fazer a diferença, mas tal qual a estrela que brilha muito, acaba incomodando os buracos negros... Infelizmente a vida é assim, quanto mais felicidade compartilhamos, mais incomodamos o seu oposto, e se não tivermos equilíbrio emocional e espiritual para lidar com as adversidades, podemos acabar sendo consumidos pelo mal que também habita o nosso mundo.

Hoje tenho a serenidade de compreender que a vida tem seus altos e baixos, e aprendi a me imunizar de tudo que não soma mais a minha vida, mesmo as vezes tendo que me divorciar de muitos sonhos e desejos que tenho, por necessidade, por ser a melhor escolha a se fazer, para evitar possíveis carmas ruins, e mais, apagar por definitivo qualquer vestígio ou fagulha que possa desencadear energias ruins para a minha vida. Apesar disso, nem sempre foi fácil lidar com os momentos amargos de nossa jornada...

Decidi deixar de lado velhos sonhos contaminandos do mal alheio, colocá-los na gaveta do esquecimento, até quem sabe um dia, através das sementes do amor que cultivei, enfim brotem, pois é necessário que isso aconteça para que um dia eu possa resgatá-los de novo para o meu presente. Enquanto isso, eu sigo em frente, buscando novos desafios que me proporcionem prazer, que possa afagar meu coração e me distanciar cada vez mais daquilo que não soma mais a minha vida.

As vezes precisamos passar a borracha no que não te faz mais sorrir, mesmo você acreditando que um dia possa mudar o que hoje é nocivo para a sua evolução, por isso pratique a assepsia do mal, e se imunize de tudo aquilo que apenas te puxa para baixo. A vida é linda, a vida é life.


* Victor Matheus

PRIMAVERA TROPICAL

“Quem sabe faz agora, não espera amanhecer...”

Sou filho de uma geração que foi as ruas nos tempos de repressão, inflação exorbitante, abuso de poder, censura, tortura, quando a liberdade de ir e vir, de opinar, de compartilhar ideias, sonhos e vontades com os demais não tinha vez... Sou cria da geração que mostrou a bunda para o falso moralismo e o militarismo autoritário, foi para as ruas, uniu força com seus iguais e como uma massa compacta e rolo compressor enterrou por definitivo longas duas décadas de ditadura militar. Geração esta que trouxe de volta o poder ao povo e para o povo. O ano era 1985, o mesmo ano em que cheguei a este planeta... Infelizmente menos de uma década depois, a mesma geração que clamava por liberdade tomou de conta do poder político de nosso país e quase o levou a total ruína... Jovens foram as ruas, pintaram as caras, até nome de canção receberam em sua homenagem e protestaram incansavelmente, lutaram pelos seus direitos, exclamaram palavras de ordem, invadiram o congresso nacional, enfiaram o dedo na cara do presidente e o mandaram catar coquinho... O final dessa história todos já sabem.

Passados quase vinte anos, duas gerações, guerras, atentados terroristas, tetra e penta campeonato mundial da seleção, fome, miséria, bolsa família, bolsa educação, cueca cheio de dinheiro encontrada por aí, roubo em licitações e contratos, desvio de verbas, corrupção, mensalão, mensalinho, “lulinha lá”, crise energética, plano real, dívida externa, devastação da Amazônia, roubo de material genético de indios yanomamis, hidrelétrica de Belo Monte, lei da “cura gay”, Feliciano, Rena Calheiros, etcétera e tal, o povo brasileiro enfim acordou de um longo e inquietante período de passividade quanto aos males e literal estupro dos nosso cofres públicos por parte da grande maioria de nossos representantes políticos... Chegou enfim a hora do basta pra tudo que por anos habitou apenas o inconsciente da sociedade, mas que nunca tinha voz e vez, e de fato, poder de mudar... Agora os tempos mudaram, e como diz a máxima popular, “o gigante acordou”, e ao que tudo indica para uma longa vigília em prol do bem comum de toda a nação.

O que mais me agrada com relação as manifestações que temos acompanhado diariamente nos noticiários é que esta revolução iminente que está a ponto de atingir seu ápice nasceu da vontade uma geração que “nunca antes na história do Brasil” havia passado por um período de recessão, uma geração que não tem líderes eleitos, é apartidária e pauta diversos assuntos essenciais e relevantes para o nosso país... A mesma geração da qual faço parte e que não sabia até então o que nossos pais e avós, livros de história, canções e testemunhas anônimas da história real enfrentaram até conquistar as mudanças e quebras de paradigmas que sempre combateram, seja por ideias, seja por revolta, seja por incomodo de não compactuar com o sistema político vigente... O povo está cuspindo na cara de quem merece e dizendo aos nossos políticos como eles devem fazer o seu dever de casa, e mais ainda, dizendo que a partir de agora, o parque de diversão e torneira da roubalheira do nosso dinheiro público está com os dias contatos, e vai além, não tratando apenas da corrupção que assola há décadas, ou melhor, séculos o nosso país, mas também cobrando mais do que sempre o povo teve direito, mas apaticamente preferiu “ignorar” por conveniência, manipulação, desconhecimento ou medo mesmo.

Portanto, não há muito mais a divagar sobre o momento de transformação que nosso país vive, mas cabe aqui um pequeno manifesto: “Senhor futuro do Brasil, peço encarecidamente que nos próximos anos o nosso país saia desse estado de letargia, comodismo e manipulação política, e se transforme de fato numa nação que se orgulhe não apenas pelas aparências e mentiras televisivas que ouvimos diariamente, mas que seja de fato um país de todos, e para todos, e que minha filha Valentina possa crescer numa nação próspera, justa, digna, com toda a infra estrutura que reivindicamos há décadas, que não tenha vergonha do passado medíocre de 500 anos de roubo e inverdades que fomos um dia obrigados a engolir e sermos condicionados, mas que faça disso uma inspiração para a mudança real que almejamos, e que caminhe para frente mudando o que está de errado, pelas mãos do seu povo, os donos de fato e de direito de todas as nossas riquezas e os catalisadores da mudança real que queremos para todos... E que sejamos fortes para percorrer este período latente de mudanças que estão por vir, e tal qual foi quando eu era apenas um garoto de 7 anos e vi o mesmo povo tirar do poder um presidente corrupto, agora, quase duas décadas depois, já homem feito, possa também fazer parte dessa mudança e quebra de paradigmas, e que possamos celebrar juntos um novo recomeço na história do gigante da América do Sul. Querer é poder! Para mudar o mundo, primeiro devemos mudar a nós mesmos.” Enfim chegou a Primavera Tropical, cheia de flores, mas não menos importante que de outrora. Vamos pra rua. Vamos em busca do melhor para todos.

FELIZ DE HAVAIANAS

“Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.” - Mahatma Gandhi

Certamente todos nós, em algum ponto de nossas vidas, já nos perguntamos: Somos felizes de verdade? Temos tudo que precisamos para gritar pro mundo que adoramos nossa vida? Ou simplesmente ignoramos o fato real que permanece constante na vida de qualquer ser humano que chega a esse planeta, aquela inquietação interna, a busca quase obsessiva pela tal felicidade, a paz de espírito, o prazer pleno, quase divino e imaculado, mas que tal qual uma longa escalada ao pico de uma imensa montanha, por vezes é difícil, tortuoso e até dolorido... Você já viu esse filme algum dia?

Conheço muitas pessoas que tem, do ponto de vista social, vidas maravilhosas, com posses, estrutura familiar, bons ofícios, capital financeiro, casa própria, carro do ano, celular bacana, que viaja quase que mensalmente para lugares maravilhosos ao redor do mundo, mas ainda assim “reclamam” de suas vidas, e deixam transparecer que apesar de tudo que tem, em termos materiais e de status, não são felizes de verdade, o que me faz pensar que inversamente proporcional é a felicidade plena quando o indivíduo menos tem com o que se preocupar, e isso inclui menos apego ao material, a opinião alheia, a necessidade de encontrar em algo inorgânico, o prazer verdadeiro de estar por aí, caminhando nesse mundo.

Em contra partida, também conheço muitas pessoas que, apesar das dificuldades da vida, a falta de dinheiro no bolso, a contra atrasada da parcela do carro, etcétera e tal, não se deixam abalar, e emanam mais luz e felicidade do que muitos bem sucedidos financeiro, social, e profissionalmente, simplesmente porque essas pessoas acabam descobrindo que a felicidade não está ligada a coisas materiais... Se o coração está aquecido de amor e de boas energias, todo o resto acaba se tornando secundário, e o mundo, a vida, Deus, ou o destino, como prefira definir, acaba conspirando ao seu favor, abrindo caminhos antes difíceis, e os problemas de outrora, quando menos se percebe, já foram superados.

Por um bom tempo, tive um hábito pitoresco que devo compartilhar: Adorava andar com um par de sandalhas “sustentáveis”. Deixe-me explicar melhor: Usava um “pé” de uma marca, e “outro pé” de outra marca. Do ponto de vista estético não era nada bonito, mas para mim pouco importava. Sempre me agradou esquisitices, e o “par híbrido” de sandalhas atendeu perfeitamente as minhas necessidades por um longo tempo. Eu poderia a qualquer momento comprar um par de sandálias novas, pois recurso financeiro nunca me faltou, mas acabei me apegando aquele par de sandálias de tal maneira que foi difícil praticar o desapego e subistui-los por um par novo. Assim o tempo passou, até que um dia percebi que até o par de sandálias sustentáveis estava desgastado demais para continuar sendo usado. Resolvi então aposentá-los e adquirir novas sandálias.

Percebi algo diferente dentro de mim quando realizei a compra das novas sandálias... Senti um imenso prazer no meu coração ao concretizar aquele desejo banal e fútil, quase sempre ignorado por muitas pessoas, afinal quem sente prazer em comprar sandalias? A lógica seria nos emocionarmos ao comprar uma casa nova, um carro do ano, ou aquele celular de última geração que só vende nos Estados Unidos... Naquele instante, percebi que não preciso de muito para ser feliz nessa vida. Encontrei prazer e satisfação tanto material como espiritual num pequeno gesto... Compreendi que nessa vida, feliz são aqueles que não precisam de posses para alimentar seus sentimentos, mas sim aqueles, que de desprendem de tudo, e ainda assim são felizes, apenas pela razão de ser. Talvez, somente com essa experiência, pude dar razão as palavras do grande sábio Gandhi: “Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.” Por fim a lição que compartilho é: Quando praticamos o desapego, ou encontramos o prazer nos pequenos detalhes da vida, encontramos verdadeiramente o sentido para sorrir, ser feliz, e compartilhar amor... Eu sou feliz, com muito ou pouco no bolso, não importa, eu continuo feliz, de havaianas, sorrindo pra vida!

* Victor Matheus